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O que é hedge em finanças? Aprenda a proteger seus investimentos

Última atualização em outubro 11, 2022

Todo investimento está sujeito a risco, portanto uma gestão de risco adequada é sempre uma parte crucial da sua estratégia ao lidar com os mercados financeiros. Conforme os mercados continuam evoluindo e trazendo novas oportunidades, devemos tomar cada vez mais cuidado e aplicar estratégias de gestão de risco eficazes. É nesse ponto que o hedge entra em cena. Neste artigo, analisaremos o que é a prática de hedge em finanças e veremos alguns exemplos para que você possa aplicar essa estratégia da melhor forma possível em seus investimentos.

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O que é hedge?

O que é hedge quando tratamos de investimentos e finanças? O hedge é uma estratégia financeira usada por investidores para se protegerem contra o risco de queda de uma posição de investimento. Eles fazem isso fazendo uma operação auxiliar para compensar as possíveis perdas. 

Resumindo, o investidor protege um ativo operando outro, limitando o risco de um impacto mais significativo nas suas finanças. É claro que essa prática não é capaz de proteger o investidor de todo impacto negativo, mas é uma forma viável de minimizar as perdas sofridas. 

Quanto executado corretamente, os benefícios financeiros, operacionais e estratégicos do hedge podem ir além de simplesmente evitar dificuldades financeiras. Essa estratégia também possibilita a reserva – e até mesmo a criação – de valor por parte do investidor.

No entanto, se realizado de maneira inadequada, o hedge pode levar a um cenário em que os benefícios do ativo auxiliar não são suficientes para justificar seu custo. Com isso, seu portfólio pode perder ainda mais valor do que seria perdido originalmente.

What is hedging and how does it work? Guide with Examples

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Breve história do hedge como um conceito financeiro

Embora tenha havido diversas referências à prática de hedge ao longo das últimas duas décadas, o termo “hedge fund” apareceu pela primeira vez em 1949. Nessa época, quase todas as estratégias de investimento envolviam apenas posições compradas. Foi quando um repórter da revista Fortune chamado Alfred Winslow Jones publicou um artigo explicando como os investidores poderiam ter ganhos mais elevados: sua sugestão foi implementar o hedge como estratégia de investimento, o que posteriormente deu origem ao modelo de Jones.

Para provar sua hipótese, Jones lançou uma parceria de investimento que utilizava vendas a descoberto e alavancagem como parte da sua estratégia. O objetivo era limitar o risco e, ao mesmo tempo, aumentar os ganhos. Jones obteve resultados excepcionais por meio dessa abordagem de hedge, superando em mais de 85% o desempenho do principal fundo mútuo da época. 

Esse sucesso atraiu o interesse de indivíduos de elevado patrimônio líquido, que passaram a buscar técnicas de hedge e hedge funds para aumentar seus lucros. Ao longo dos anos, o conceito de hedge em finanças evoluiu muito. Ele se expandiu a ponto de incluir um sistema pelo qual as bolsas globais podem aperfeiçoar, melhorar e preservar a integridade dos compromissos assumidos em contratos a termo. 

Como o hedge funciona?

Vejamos uma analogia simples, porém muito adequada: alguém acabou de comprar um carro e decidiu contratar um seguro. Isso não o impede de sofrer um acidente, mas reduz o impacto financeiro negativo caso ocorra um acidente. 

Em geral, é um resultado significativamente melhor do que não ter proteção alguma – mesmo que você precise pagar um prêmio e uma franquia, conforme exigido pelo seguro. É melhor pensar nos prêmios de seguro como o custo para reduzir o risco, não eliminá-lo.

É assim que funciona a estratégia de hedge. Digamos que você tenha ações da XYZ em seu portfólio, pois acredita que a empresa tem um excelente potencial no longo prazo, mas está preocupado com as possíveis perdas no curto prazo. Uma maneira de reduzir esse risco seria comprar um ativo negativamente correlacionado. Nesse caso, você compra ações da ABC, que são inversamente correlacionadas com as ações da XYZ; dessa forma, se a XYZ cair, a ABC passa a subir. Portanto, seu portfólio não sofrerá o impacto total das perdas causadas pelo desempenho da XYZ, já que a valorização da ABC tem o potencial de compensá-las.

Os investidores usam hedge quando não têm certeza quanto à próxima movimentação do mercado – ou seja, basicamente o tempo todo. Gestores de carteiras e grandes investidores institucionais usam diversas técnicas para reduzir sua exposição aos riscos do mercado. O grande objetivo, embora seja difícil de alcançá-lo, é executar um hedge perfeito, que seja capaz de eliminar completamente sua exposição ao risco – exceto pelo custo original de aquisição do contrato.

Em que setores financeiros o hedge é usado?

Há várias classes de ativos em que o hedge pode ser aplicado, incluindo:

  • Commodities – Qualquer commodity operada, como produtos energéticos, produtos agrícolas, metais preciosos, etc. 
  • Títulos – Geralmente na forma de ações, índices e fundos. Os investidores podem comprar títulos mesmo sem ter a posse física, o que facilita sua operação.
  • Moedas – Inclui moedas estrangeiras e pode envolver a operação de uma para proteger outra. 
  • Taxa de juros – O hedge também pode ser aplicado em taxas de juros ativas e passivas. 
  • Clima – Inclui o mercado de derivativos climáticos, que oferece eventos de alta probabilidade e risco relativamente baixo. 

Exemplos de hedge

Agora que você tem uma visão mais ampla sobre o assunto, vamos analisar alguns exemplos reais de hedge:

Derivativos

São ativos que derivam seus respectivos valores de ativos subjacentes. Derivativos como futuros e opções são ótimas formas de hedge.

Hedge com futuros

Vamos supor que você tenha uma padaria de sucesso e esteja preocupado com o aumento do preço da manteiga que usa em seus doces incríveis. Você pode se proteger contra essa imprevisibilidade adquirindo um contrato futuro, que permitirá que você compre a manteiga por um preço específico em uma data futura predeterminada.

Se o preço subir consideravelmente até o vencimento do contrato, o hedge com o contrato futuro compensará as perdas. Isso porque você poderia adquirir a manteiga pelo preço determinado no contrato futuro, que é inferior ao preço de mercado.

O que acontece quando o preço cai é um exemplo claro de uma das desvantagens do hedge. Se o custo da manteiga diminuir até a data de expiração do contrato, você será obrigado a pagar o preço inicialmente estabelecido no contrato – ou seja, seria melhor não ter feito o hedge.

Basicamente, essa forma de hedge permite que você não se preocupe com o que acontecerá com o preço da manteiga enquanto tiver o contrato futuro como proteção.

Hedge com opções 

Um contrato de opções não é muito diferente de um contrato futuro. A principal diferença é que, em um contrato de opções, você não é obrigado a exercer o contrato no vencimento. Na verdade, você tem a opção de comprar ou vender esse ativo em uma data futura predefinida. 

Por exemplo, digamos que você possua ações da Amazon (AMZN). Você está bastante otimista quanto ao crescimento da empresa, mas pessimista em relação ao setor de e-commerce. Para se proteger contra um possível desempenho negativo das suas ações, você pode comprar uma opção de venda das ações da Amazon. Isso lhe dará o direito de vender as ações da Amazon a um preço determinado – chamado preço de exercício – em uma data posterior.

Dessa forma, se o valor de mercado realmente cair e ficar abaixo do preço de exercício da opção, você ganhará parte do dinheiro de volta com os lucros da venda da opção put, pois seu valor terá subido. Como alternativa, você poderia exercer a opção, o que permite que você venda suas ações pelo preço de exercício, que agora é superior ao preço de mercado. 

Alocação de ativos (diversificação)

“Não coloque todos os ovos na mesma cesta.” Você provavelmente já ouviu esse ditado várias vezes, mas ele cabe perfeitamente no nosso assunto. A alocação de ativos é quando você aplica seu capital em investimentos que não seguem a mesma direção. 

Digamos que você tenha ações de hospitais privados, hotéis e uma rede de shoppings. Vamos supor que você também possua outros ativos, como ouro, commodities agrícolas e títulos de dívida. Um dia, um evento adverso impacta a indústria do turismo na região de um dos hotéis em que você investiu. Por ter diversificado os investimentos, seu portfólio não sofrerá tanto impacto. As outras ações e ativos do seu portfólio não serão afetados pela queda no preço das ações dos hotéis, já que os ativos não estão relacionados.

Dessa forma, a diversificação funciona como uma estratégia de hedge eficaz para espalhar o risco entre várias classes de ativos. Se uma categoria de ativos sofrer perdas, outra categoria pode compensá-las.

Preço médio

Essa estratégia é simples, porém bastante eficaz. Ela envolve a compra de unidades adicionais de um título ou produto adquirido anteriormente, mesmo depois que seu preço de mercado tiver caído ainda mais. Isso diminui o preço médio pago pelas ações.

Supondo que você tenha comprado 100 unidades de uma ação a US$50, mas, pouco tempo depois, o preço caiu para US$40. Em vez de reclamar das perdas, você decide comprar mais 100 unidades, reduzindo o preço médio para US$45 por unidade. Agora o preço só precisa chegar a US$45, em vez de US$50, para equilibrar sua posição.

Média de custo

Esta é uma estratégia que envolve investir o mesmo valor fixo por um longo período. Muitos investidores usam a média de custo para proteger seus investimentos em um mercado volátil. Ao aplicar a mesma quantia de dinheiro a cada semana ou mês, eles se protegem contra possíveis perdas durante condições de mercado desfavoráveis. 

Se o preço do ativo cair no mês seguinte, o investidor comprará mais unidades por um preço mais baixo. Por outro lado, em caso de alta no preço, a média do custo evita o risco de investir todo o capital durante um breve período de alta.

Permanecer líquido (reserva de caixa)

Essa estratégia é bastante simples. Ter uma reserva de caixa é uma maneira fantástica de se proteger contra possíveis perdas em seus investimentos, principalmente em épocas de incerteza financeira. 

Tipos de hedge

Há três tipos principais de hedge que você deve conhecer: 

  • Contratos a termo – Este é um acordo não padronizado para operar um ativo a um determinado preço em uma data, conforme acordado entre duas partes independentes. Os contratos a termo são usados para operar diversos tipos de ativos, incluindo moedas e commodities.
  • Contratos futuros – Conforme mencionado anteriormente, um contrato futuro é um acordo padronizado para operar um ativo a um preço determinado em uma data futura, conforme acordado entre duas partes independentes. 
  • Mercados monetários – Incluem diversos tipos de atividades financeiras relacionadas a moedas e outras operações no mercado monetário. 

Há vários tipos de estratégias de hedge disponíveis atualmente e, embora possa haver algumas semelhanças, cada uma delas é notavelmente diferente. Considere utilizar diferentes abordagens ao mesmo tempo para obter os melhores resultados possíveis.

Leia também nosso artigo com as diferenças entre contratos de futuro e a termo!

Riscos da prática de hedge

Apesar dos seus diversos benefícios, o hedge também tem algumas desvantagens, mesmo sendo uma ferramenta de minimização de risco.

Não sai de graça

Além do custo original do ativo auxiliar, há outros custos envolvidos no hedge. Por exemplo, se estiver fazendo hedge com derivativos, talvez seja preciso aplicar uma grande quantidade de capital e pagar taxas de corretagem – ambos podem corroer seus lucros. 

Pode ser desnecessário

Em um mercado com bom desempenho ou que esteja se movendo lateralmente, o hedge não oferece muitos benefícios, pois não há muita necessidade de se proteger nesses casos. Por essa razão, alguns investidores podem considerar o hedge um gasto desnecessário.

Perigo de fazer hedge contra os riscos errados

Em certas situações, investidores e gerentes de portfólio podem gastar muito tempo e esforço tentando se proteger de riscos que não necessariamente são relevantes para seu portfólio ou para a saúde financeira da empresa. 

Entenda a Taxa Livre de Risco e saiba como usá-la na precificação de ativos financeiros.

Vantagens e desvantagens do hedge

Há muitas vantagens significativas de implementar estratégias de hedge nos seus investimentos, incluindo:

  • Limita as possíveis perdas – A principal vantagem de fazer hedge é limitar ou reduzir os danos.
  • Protege os lucros – Além de minimizar suas perdas, o hedge também pode ajudar a proteger seus lucros por meio de um contrato futuro.
  • Maior liquidez nos mercados financeiros – Fazer hedge nos investimentos geralmente implica que você opere em diferentes mercados, como ações, derivativos, commodities, etc.
  • Pode economizar tempo – Investidores de longo prazo podem economizar tempo diversificando seu portfólio e deixando que ele se valorize no longo prazo. Dessa forma, eles não perdem tempo acompanhando ou ajustando seu portfólio, seja qual for a condição do mercado.
  • Protege contra variações desfavoráveis – Uma estratégia de hedge bem executada pode proteger um trader contra variações nos preços de commodities, nas taxas de juros, na inflação, nas taxas de câmbio e muito mais.

Quanto às desvantagens, o hedge também tem algumas:

  • O hedge geralmente exige bastante habilidade e experiência de trading. Em alguns casos, a proteção adequada dos seus investimentos pode envolver trade-offs complexos e cálculos precisos, o que pode ser difícil para investidores e traders iniciantes.
  • Também há a possibilidade de limitar os lucros, pois o risco e a recompensa são muitas vezes proporcionais – reduzir o risco geralmente significa reduzir seus lucros.
  • O hedge pode ser difícil para day traders, pois, no trading de curto prazo, pode ser extremamente difícil acompanhar o mercado de maneira consistente.

Como o hedge pode ajudá-lo?

A prática de hedge é muito discutida em termos gerais, fazendo com que pareça mais um daqueles conceitos financeiros exóticos. Além disso, a maioria dos investidores de longo prazo não se importa com as variações de curto prazo, pois, nesse caso, não há sentido em fazer hedge. 

Então por que aprender sobre hedge e como isso pode ajudá-lo? Mesmo que você não pretenda fazer hedge no seu portfólio, é fundamental entender como essa estratégia funciona, pois é uma ferramenta valiosa que você deve ter no seu arsenal de investimentos. 

Um dia isso pode ajudá-lo a aumentar seus lucros ou protegê-lo de grandes perdas. Quando usado corretamente, o hedge pode reduzir os riscos e ainda aumentar os lucros.

Conclusão

Infelizmente, o risco do mercado é um fator que estará sempre presente nas atividades de trading. Portanto, seja qual for o tipo de investidor que você pretenda ser, é importante conhecer a prática de hedge e suas diversas estratégias para que você possa proteger melhor seu portfólio.

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